Aspetos Básicos da Contagem de Cartas

Os jogos de cartas não funcionam como os jogos de mesa dos casinos. Uma roda de roleta europeia nunca pode deixar de ter zeros. Cada rodada corresponde a um evento independente, em que as probabilidades do zero sair são de 1 em 37, ou 2,7%. De modo semelhante, numa mesa de Craps não há limite em relação a quantos resultados 7 podem ser obtidos. Os dados não guardam memórias. Lançar três ou quatro setes a fio não altera a probabilidade de lançar outro sete, o que é sempre 6 em cada 36, ou 16,7%.Aspetos Básicos da Contagem de Cartas

Contudo, nas mesas de Bacará, Pai Gow Poker ou Blackjack, quando tiverem saído todos os Ases do baralho, não há mais nenhuma possibilidade de sair um novo Ás. Tomando um baralho de 52 cartas e quatro Ases, as probabilidades de um Ás sair são 4 em 52, ou 7,7%. Ao retirar um Ás, a percentagem cai para 3 em 51, ou 5,9%. Retirar uma outra carta qualquer que não o Ás faz com que as probabilidades aumentem para 4 em 51, ou 7,8%. Por outras palavras, o baralho tem uma memória e cada carta jogada altera as probabilidades do jogo.

Desta forma, pode pensar-se que um jogador que tem uma certa facilidade em recordar-se de cartas que já saíram pode gozar de alguma vantagem ao jogo. Tal jogador pode apostar mais quando o baralho contém uma maior percentagem de cartas “favoráveis”, e diminuir o valor das apostas quando o baralho já não apresenta tais cartas. É esta a estratégia por detrás da “contagem de cartas”, que pode ser definida como a arte e a ciência de monitorizar que cartas foram jogadas, sabendo como tal pode influenciar as probabilidades, e seguidamente apostar e jogar em conformidade, tirando partido de situações em que as cartas restantes favorecem o jogador.

As Origens da Contagem de Cartas

Em 1962, o professor de matemática do M.I.T, Edward O. Thorp, escreveu um livro inovador chamado “Vencer o dealer” (“Beat the Dealer”). Aí, descrevia a estratégia básica de Blackjack, demonstrando a maneira ideal de jogar qualquer mão, com bases matemáticas. O professor lançou mão de estatísticas e cálculos que demonstravam que quando um baralho não tinha muitas Quinas, uma carta geralmente ignorada, o jogador beneficiava com esse facto, comparado com a escassez de outras cartas. Desta forma, ao contar o número de Cincos já saídos e por sair, o jogador teria uma melhor ideia sobre quanto apostar e como jogar a sua mão.

A observação de Thorp tornou-se a base da “Estratégia da Contagem de Quinas”, o primeiro sistema de contagem de cartas do Blackjack. Note-se que ainda é utilizado nos nossos dias, e recomenda aumentar o valor das apostas quando não houver mais Cincos no baralho. Este professor também concebeu um quadro com indicações de montantes a apostar noutras situações, todas baseadas no número de Cincos jogados e por jogar.

Uma vez dominada a técnica por detrás desta estratégia, o jogador pode avançar para a contagem de cartas de valor 10 e de cartas de figuras, conhecido como o sistema “Contagem de Dez”. Thorp notou que a remoção de cartas de valor 10 favorecia a casa. Desta forma, as apostas devem aumentar quando o baralho está “rico” destas cartas de grande valor, e diminuídas quando não há muitas destas cartas. Durante o jogo, a vantagem da casa será de 4% ou mais durante um terço do tempo, e o jogador terá 4% de vantagem ou mais para outro terço da jogada. Todas as jogadas restantes acabam por favorecer ou a casa ou o jogador. A vantagem está em perceber qual é a situação em que a mão favorece mais o jogador.

Aprender a Contar

Tirando aqueles que têm uma memória fotográfica muito desenvolvida, qualquer jogador com uma inteligência média sentirá bastantes dificuldades em contar cartas individuais. Isto torna-se particularmente verdade quando existem inúmeros baralhos em jogo, como é hábito no Blackjack, e várias distrações, tornando-se muito fácil perder o fio à meada. Por esta razão, o jogador profissional de cartas Lawrence Revere iniciou um sistema intitulado “Estratégia do Mais e Menos”, e em 1969 escreveu um livro chamado “Jogar Blackjack como um Negócio” (“Playing Blackjack as a Business”).

Revere ensinou que se deve atribuir um valor a cada carta no baralho. As cartas de valor 2 a 6 valem 1 ponto (+1) cada quando retiradas do baralho. As cartas 7 a 9 contam como zero e podem ser ignoradas. Cartas altas, do 10 ao Ás, valem um ponto negativo (-1) cada quando retiradas do baralho. Ao usar esta técnica, não precisa recordar-se qual a carta que saiu exatamente. O jogador precisa apenas de lembrar-se de um número, a “Contagem”, que começa em zero, adicionando ou subtraindo a esse valor de partida à medida que as mãos são dadas.

À medida que o principiante se vai sentindo mais confortável em monitorizar as cartas, deve adicionar-se uma estratégia de aposta, em que se aposta uma unidade quando a Contagem for +1 ou menor, e duas unidades quando a Contagem for +2 ou superior. Esta estratégia conduz a uma série de variações mais avançadas, tal como a Contagem KO, Hi-Lo, Hi-Opt I, Hi-Opt II e outros sistemas de contagem.

Em teoria, pode aplicar-se este tipo de contagem a todos os jogos de cartas. Com efeito, alguns jogadores conceberam sistemas para o Bacará, baseado na contagem de cartas. Contudo, foi o Blackjack que ganhou mais popularidade e revelou ser o jogo de cartas mais lucrativo ao longo do tempo. Um bom contador de cartas pode vencer a casa e ganhar consistentemente, por isso vale a pena somar esta habilidade de contagem de cartas ao arsenal de estratégia quando se joga num bónus de casino.